O Síndroma de Estocolmo.
No seu passeio pelo bosque evitava sempre pisar o riacho. Às vezes fazia-se gigante, atravessando um oceano inteiro de uma só passada. “O movimento leve é essencialmente majestoso”, dizia. E voltava a passar o riacho. Já nem olhava para o bosque, não se deliciava mais com o som crepitante das folhas secas de outono debaixo dos seus pés, não voltara a admirar a luz do sol por entre as altas árvores. Não era o bosque que o fascinava mais. Era o riacho. Ficava sobre ele, com uma perna em cada margem, observando o fluxo constante do tempo. O seu som destacava-se do da floresta, sobrepunha-se aos vagos cantares das aves, à música ambiente do vento a que dançam as folhagens. A água era constante. Fixado nessa correria notou tarde que o riacho alargava. Estava quase com os pés molhados, tinha que aumentar a distância entre eles. O equilíbrio era agora mais difícil. Em breve teria que escolher uma margem e transportar todo o peso do seu corpo para apenas um dos lados. Mas não queria, assim não podia observar o riacho como gostava. A água dava-lhe já pelos pés e não tinha ainda tomado uma decisão. Queria ver o riacho bem de cima e não ficar molhado. Começava a cair para trás, para a frente, quanto mais afastava as pernas mais se desequilibrava.
Desistiu. Escolheu o lado de onde veio e nunca mais voltou.
“Vai torcer por quem na Copa?”
Expliquem-me, ó pessoas que me dirigem esta pergunta, que resposta ousais escutar vós aquando desta absurda inquisição a que me submeteis dia sim dia não? (diria Camões)
Por acaso torcem pela selecção portuguesa os brasileiros que trabalham em Portugal?
Não contentes com a minha resposta em forma de pergunta ainda reforçam a importância histórica do futebol brasileiro, como se torcer pelo mais vitorioso fosse louvável. Meus amigos, para isso era eu Benfiquista, escolhia o clube de futebol com mais metal nas prateleiras e não me preocupava mais com o assunto. Mas não, nasci no Porto, sou Portista. Nasci e cresci em Portugal, sou e serei sempre Português. Com este discurso sou levado a crer que brasileiro só torce pelo Brasil por causa daquilo que a selecção brasileira já conquistou no passado, e não por ser brasileiro de facto. Claro, nem todos somos patriotas, Zeus sabe que eu não sou. Mas não me envergonho das minhas raízes e origens. Não me orgulho da minha identidade cultural apenas porque 11 patetas de meias até ao joelho foram metendo uns golos e ganharam umas taças usando as cores do meu país. Nem tão pouco me interessa qual a origem dos jogadores da minha selecção, pois se escolheram as cores de Portugal para usarem ao peito é porque tiveram bons motivos para renegarem as do país original. Além disso não vejo muitos portugueses a nacionalizarem-se brasileiros para jogarem no “melhor time do mundo”…
Vou torcer por Portugal, claro está. E sim, espero ganhar. Não por aquilo que já conquistámos, mas por acreditar que somos capazes.
Respeitosamente, de um português no Brasil.
Epifania nº 0293513476613-8
A verdadeira fórmula para calcular o peso ideal de um homem é: o seu peso actual + o peso de uma linda mulher em cima dele. Qualquer que seja o número resultante não haverá peso na consciência.
Garantido
“Somos o primeiro!!!
Vimos por este meio agradecer este primeiro lugar sem deixar de salientar que foi um esforço comunitário, não queremos deixar de agradecer aos pais que, por tanto trabalharem, não puderam dar-nos a atenção que era suposto. Ao patronato dos mesmos por ter feito deles os seus escravos. Das leis que obrigaram as mães a deixarem os seus rebentos com estranhos porque a licença de maternidade é aquela e só aquela e nem mais um dia, deixando a mulher numa ansiedade terrível, com sentimentos de culpa e desnorteada com o seu papel na sociedade, aos professores que preferiram ser “o amiguinhos” do que ensinarem a matéria e terem pulso forte quando era necessário nem que para isso fosse necessário levantar a voz e meter uns quantos na rua, aos amigos que não eram amigos, aos jogos de vídeo que nos desequilibraram o sentido da realidade, às dietas para cabermos nas calças da moda, aos cursos superiores que tinham médias tão elevadas que, mesmo sendo o nosso sonho, não conseguimos entrar fazendo com que tivéssemos que escolher o outro ao lado e que tornou a nossa profissão unicamente num meio de substistencia, um especial agradecimento à crise que se mantêm estável e que nos faz sentir que amanhã o nosso banco pode falir e ai jesus o que faço eu da vida, à Walt Disney que nos convenceu que a vida era um conto de fadas e que pássaros podiam vir se cantássemos e os lagos têm nenúfares e os príncipes existem quando afinal os pássaros são pombos que sujam as ruas, os lagos estão poluídos e os príncipes - segurem-se - são humanos, aos centros de saúde que confundem um período depressivo com uma depressão e encharca os seus utentes com fluoxetina e prozacs e unisedil e afins (e vai-te embora que tenho mais que fazer), à internet que nos dá a possibilidade de fazermos de nós uma versão mais gira, com caracteres bonitos e alinhados, uma realidade paralela da qual é cada vez mais difícil sair (sou tão mais gira aqui e nem preciso tirar o pijama). Por fim, obrigada à sociedade em geral que se mantêm de aparência perfeita e sorriso tipo AVC e que nos convence que se não seguirmos esse registo, seremos condenados ao rotulo de anormal.
Sem isso seria impossível sermos o país Europeu com mais doentes mentais.”
Disse-me um dia um amigo brasileiro que é nossa (dos portugueses e europeus em geral) a culpa da existência da corrupção no Brasil. Afirmação para mim absurda. Se os defeitos de um país advêm do(s) país(es) colonizador(es) as qualidades também? A “culpa” do Brasil ser penta campeão mundial é de Portugal e da Europa? Não me parece que algum brasileiro esteja pronto a concordar com isso. E nem eu estou pronto a aceitar a acusação anterior. A culpa de eu ser quem sou não é do meu pai, é minha, porque eu sou quem eu escolho ser.
Há corrupção um pouco por todo o lado. Quem a tem é porque a quer, porque a não combate, porque não lhe resiste. Não porque os jesuítas a ensinaram juntamente com a língua portuguesa aos índios tupi-guarani. E quem a aprendeu foi por diligência própria.
Corrupção é deplorável, tolerá-la é pior ainda. Saí de Portugal porque os corruptos me negam um país com condições para sobreviver.
Terei também de deixar o Brasil?
Ahhhhh….. bons tempos. OPEDRONAUNIVERSIDADE - vê se me encontras no video.
Montagem de Susana Sôpa (inexistência de audio por cortesia do Youtube)
Como seria o amor antes do incidente da Torre de Babel? Como seria dizer que te amo no paleolítico, antes de conseguir mexer a língua de forma coordenada e precisa, provocando sons de vogais e consoantes, entoações, sotaques, ironias, interrogações e exclamações? Como seria fazer-te sentir o que sinto sem usar este ruído que tanto teimo em trocar contigo, de boca para boca? Como seria…? Amar sem falar.
Não é o amor universal? Porque usamos da palavra então? Da língua, do idioma, do dialecto… Porque vocalizamos se as nossas bocas querem silêncio e entrega? Porque nos movemos de formas tão estranhas se todos sabemos dançar o amor?
Ah, mas com tão vasto vocabulário, com tanta palavra no dicionário, com milhões de combinações possíveis, haverá umas poucas que com certeza falarão ao coração, ao sentimento!!! Não?…
Porque é então que acaba o amor na palavra, no grito, na acusação? Porque nos guerreamos neste jogo de quem mais ofende? Porque cansamos a voz, de roupa no corpo, tentando fazer sentido com frases e retóricas. Porque não cansamos antes a voz com gemidos, sem roupa, e sem qualquer preocupação em fazermos sentido? Porque não falamos de facto o amor? Boca com boca, seio com seio, coxa com coxa, corpo em corpo…?
Porque não te amo eu sempre em silêncio, como quando te observo a dormir? (Porque não adormeço eu nunca sem te amar…?)
Porquê?
O amor tem lá porquê… o amor tem só tempo. E não há tempo a perder. Calem-se os apaixonados, seus corpos que se entendam.
O amor é surdo mudo. Falemos com as mãos…
No meu tempo todas as questões levantadas pelas inevitáveis crises de identidade da adolescência ficavam por responder. Quem sou, para onde vou, qual é o sentido da vida, que posição sexual prefiro, qual é o nome da minha cara metade, com que celebridade me pareço, que penteado se adequa ao meu estilo…
… Ahhh se eu tivesse Facebook no 9º ano, para saber que área seguir e que curso escolher. Ahhh se eu pudesse ter consultado esse sábio vidente antes de tomar as grandes decisões que tomei. Teria eu mudado de país? De continente? De sexo?
Às vezes penso que o Facebook é a CIA. Ou Deus… De que outra forma justifico eu a sua infinita sapiência e a imperativa certeza nas respostas (nunca um talvez, “és isto” e pronto)?
Deus tem um livro. Um livro cheio de fotos. Um livro de caras. A cada cara está associado um perfil, com todos os detalhes das nossas personalidades, feitios e futuro. Quando fazemos um quizz no Facebook é Deus que nos lê a nossa ficha. Ele só precisa que respondamos a algumas perguntas, para se certificar de que somos mesmo nós, por causa da confidencialidade (tipos os médicos e advogados). De nada serve esse cuidado, se a seguir vai contar a todos o veredicto, no feed de notícias (uma espécie de revista cor-de-rosa em que todos são famosos).
Somos cada vez mais inadaptados. Antes a selecção natural era isso mesmo: Natural. Agora a sobrevivência é uma variável da economia, da tecnologia, da hipocrisia. São na mesma os jovens que excluem os idosos, os doentes que se recusam a tomar o remédio, a tecnologia. Quem vive na rua está condenado (no mínimo a ser assaltado). Quem vive na rede estará são e salvo, fará parte do grupo, da comunidade, e nunca se sentirá sozinho, no seu quarto escuro, onde só o computador brilha. Até as cantadas, os piropos mudaram…
“Chiii…. mandas-me cá uma motherboard… Posso meter a minha pen na tua entrada USB? Olha que mede 16GB… Não te preocupes, eu uso sempre anti-vírus…”
Não há fórmula para viver. Apenas formas. E todas estão certas, principalmente quando se mostram erradas.
O verdadeiro Erro de Descartes é que o erro é o caminho, e não a razão.
Estou certo ou errado?
Tenho ou não razão?
Ninguém ma dê. Vou eu procurá-la, Pelo caminho que eu escolhi.
O erro é o caminho.
Um turista português, perdido no interior do Estado de São Paulo, registou este espectáculo dantesco de relâmpagos, mesmo antes de ser fulminado por um trovão, que o matou instantaneamente. As autoridades de Taubaté negam a existência de qualquer tempestade na região, nos últimos 10 anos. No entanto a verdade virá sempre ao de cima aqui, n’OPEDRONOBRASIL