“Se correr eu atiro!”
Moema, pouco depois da meia noite. Caminho com a minha irmã, por uma rua de sentido único, com uma só faixa. Vamos na direcção do trânsito. Uma moto passa e vira para o nosso lado. Pensei que fosse estacionar, fazer inversão de marcha… Um milésimo de segundo depois percebi que ia ser assaltado. Atravessaram-se à nossa frente.
“Se correr eu atiro!”
Dois homens de capacete montados numa moto potente, vestidos para a neve. O motor estava desligado, vieram de lanço, para que não os ouvíssemos aproximarem-se. Verdadeiros profissionais. Se tentássemos fugir disparavam, era o mote. Não vi qualquer arma, provavelmente não tinham nenhuma. Tinha uma decisão a tomar.
“Carteira e celular, rápido!”
Respondi que não tinha carteira, não uso. Tirei o iPhone do bolso, despedi-me mentalmente, beijinhos, adoro-te iPhone, fizeste-me tão feliz… No outro bolso tinha as chaves. Não as quiseram (pena, faço sempre questão que as pessoas que gostam de me foder tenham uma chave da minha casa). Oh well… Era a vez da minha irmã. Deu-lhes o celular, também não tinha carteira.
“Cê tem dinheiro aí no bolso, tira para fora… me dá essa porra!”
A minha irmã tira o dinheiro e entrega aos doces cavalheiros.
“Agora vai para lá, dá meia volta!”
Aparentemente fazer a moto pegar de novo para iniciarem a fuga é um processo para o qual os dois requerem alguma privacidade. Talvez por pegarem de empurrão, não sei…
Viramos costas, “boa noite, foi um prazer, volte sempre”, passa-me ironicamente pela cabeça. Caminhamos na direcção oposta ao trânsito, tal como ordenado. Não olhamos para trás, andamos apenas, abraçados…
“Está uma linda noite, não está?”, digo….
“Como raios vou agora aceder à internet quando estiver no trono?, penso…

