O PEDRO NO BRASIL
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No meu tempo todas as questões levantadas pelas inevitáveis crises de identidade da adolescência ficavam por responder. Quem sou, para onde vou, qual é o sentido da vida, que posição sexual prefiro, qual é o nome da minha cara metade, com que celebridade me pareço, que penteado se adequa ao meu estilo…
… Ahhh se eu tivesse Facebook no 9º ano, para saber que área seguir e que curso escolher. Ahhh se eu pudesse ter consultado esse sábio vidente antes de tomar as grandes decisões que tomei. Teria eu mudado de país? De continente? De sexo?
Às vezes penso que o Facebook é a CIA. Ou Deus… De que outra forma justifico eu a sua infinita sapiência e a imperativa certeza nas respostas (nunca um talvez, “és isto” e pronto)?

Deus tem um livro. Um livro cheio de fotos. Um livro de caras. A cada cara está associado um perfil, com todos os detalhes das nossas personalidades, feitios e futuro. Quando fazemos um quizz no Facebook é Deus que nos lê a nossa ficha. Ele só precisa que respondamos a algumas perguntas, para se certificar de que somos mesmo nós, por causa da confidencialidade (tipos os médicos e advogados). De nada serve esse cuidado, se a seguir vai contar a todos o veredicto, no feed de notícias (uma espécie de revista cor-de-rosa em que todos são famosos).
Somos cada vez mais inadaptados. Antes a selecção natural era isso mesmo: Natural. Agora a sobrevivência é uma variável da economia, da tecnologia, da hipocrisia. São na mesma os jovens que excluem os idosos, os doentes que se recusam a tomar o remédio, a tecnologia. Quem vive na rua está condenado (no mínimo a ser assaltado). Quem vive na rede estará são e salvo, fará parte do grupo, da comunidade, e nunca se sentirá sozinho, no seu quarto escuro, onde só o computador brilha. Até as cantadas, os piropos mudaram…
“Chiii…. mandas-me cá uma motherboard… Posso meter a minha pen na tua entrada USB? Olha que mede 16GB… Não te preocupes, eu uso sempre anti-vírus…”

No meu tempo todas as questões levantadas pelas inevitáveis crises de identidade da adolescência ficavam por responder. Quem sou, para onde vou, qual é o sentido da vida, que posição sexual prefiro, qual é o nome da minha cara metade, com que celebridade me pareço, que penteado se adequa ao meu estilo…

… Ahhh se eu tivesse Facebook no 9º ano, para saber que área seguir e que curso escolher. Ahhh se eu pudesse ter consultado esse sábio vidente antes de tomar as grandes decisões que tomei. Teria eu mudado de país? De continente? De sexo?

Às vezes penso que o Facebook é a CIA. Ou Deus… De que outra forma justifico eu a sua infinita sapiência e a imperativa certeza nas respostas (nunca um talvez, “és isto” e pronto)?

Deus tem um livro. Um livro cheio de fotos. Um livro de caras. A cada cara está associado um perfil, com todos os detalhes das nossas personalidades, feitios e futuro. Quando fazemos um quizz no Facebook é Deus que nos lê a nossa ficha. Ele só precisa que respondamos a algumas perguntas, para se certificar de que somos mesmo nós, por causa da confidencialidade (tipos os médicos e advogados). De nada serve esse cuidado, se a seguir vai contar a todos o veredicto, no feed de notícias (uma espécie de revista cor-de-rosa em que todos são famosos).

Somos cada vez mais inadaptados. Antes a selecção natural era isso mesmo: Natural. Agora a sobrevivência é uma variável da economia, da tecnologia, da hipocrisia. São na mesma os jovens que excluem os idosos, os doentes que se recusam a tomar o remédio, a tecnologia. Quem vive na rua está condenado (no mínimo a ser assaltado). Quem vive na rede estará são e salvo, fará parte do grupo, da comunidade, e nunca se sentirá sozinho, no seu quarto escuro, onde só o computador brilha. Até as cantadas, os piropos mudaram…

“Chiii…. mandas-me cá uma motherboard… Posso meter a minha pen na tua entrada USB? Olha que mede 16GB… Não te preocupes, eu uso sempre anti-vírus…”